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Oncologia Estética, a Abordagem do Doente

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Clinic

2024-10-29

Dra. Sofia Raposo
@drasofiaraposo

Mestrado Integrado em Medicina pela FMUC
Especialista em Ginecologia/Obstetrícia
Sub-especialista em Ginecologia Oncológica
Master em Medicina Estética e Antienvelhecimento, Universidade Complutense de Madrid
Assistente Hospitalar de Ginecologia no IPOFG-Coimbra 
Ofidia Clinic

Ginecologia, Ginecologia Oncológica e Senologia, Medicina estética e anti-envelhecimento, Oncologia estética, Oncosexologia, Smartageing

Oncologia Estética, a Abordagem do Doente

O cancro é uma doença cada vez mais comum e o número de casos cresce a cada ano. Nos últimos 20 anos, o número de cancros diagnosticados conheceu um crescimento importante, devido não só ao aumento populacional, mas também ao aumento da esperança média de vida e às técnicas de deteção precoce, fruto de uma evolução científica e tecnológica, contínua e constante.  A evolução técnico-científica nesta área conduziu a um menor risco de mortalidade por cancro e, consequentemente, ao aumento do número de sobreviventes por cancro.

Os sobreviventes apresentam frequentemente complicações da doença e dos seus tratamentos, com impacto a nível físico, psicológico, espiritual, social e económico. Estes efeitos incluem depressão, ansiedade, preocupação com a imagem, disfunção física e sexual, distúrbios do sono, aumento de peso, fadiga crónica, entre outros, provocando deterioração da qualidade de vida, com repercussões na autoestima, o que requer uma orientação individualizada.

É neste contexto que surge a Medicina Oncoestética, uma área inovadora da Medicina, que une Medicina Estética à Oncologia. O objetivo da Medicina Oncoestética é prevenir, melhorar e tratar total ou parcialmente os aspetos inestéticos do doente com cancro, de modo a beneficiar a sua qualidade de vida. A medicina estética pode ter um papel determinante e muito importante na minimização das sequelas do tratamento do cancro (cirurgia, radioterapia, alvos moleculares e quimioterapia). É sabido que estes tratamentos provocam inúmeros efeitos secundários e que, em geral, têm um impacto importante na pele. São responsáveis pelo envelhecimento precoce da pele conduzindo a desidratação, aumento de rugas e flacidez, perda de elasticidade, vasculopatias actínicas e alterações da pigmentação.

A Medicina Oncoestética assenta em três pilares: prevenção, melhoria dos efeitos secundários durante o tratamento e melhoria das sequelas após o términus do tratamento.

A manutenção duma boa qualidade de vida pode mais facilmente ser alcançada com uma abordagem multidisciplinar, que inclui não só a prevenção e evicção de determinados efeitos secundários das terapêuticas oncológicas, como também tratamentos médicos estéticos, com o objetivo de melhorar a autoimagem e obter um impacto positivo na vida destes doentes/sobreviventes.

Durante o tratamento do cancro, a pele é um dos órgãos mais frequentemente afetados, podendo ocorrer toxicidade cutânea. Sem dúvida, cuidar da pele ajudará a minimizar os efeitos adversos dos diferentes tratamentos.

Os procedimentos utilizados para melhorar a pele são variados e incluem a toxina botulínica (não só com intuito estético, mas por vezes também terapêutico), os injetáveis preenchedores, como o ácido hialurónico, e os tratamentos com laser.

Vários estudos realizados em sobreviventes de cancro apontam os problemas económicos e a aparência física como as suas principais preocupações. Nestes doentes, os procedimentos de rejuvenescimento facial com toxina botulínica e ácido hialurónico têm sido cada vez mais utilizados, tendo-se revelado seguros e eficazes.